uma pequena baixaria submarina

elogio do chão e da mortandela

O CHÃO

O chão, ah, o chão. Não podendo flutuar, nos amamos no chão - nosso modo de alcançarmos o extremo.

A MORTANDELA

A mortandela, ah, a mortandela. Sabor e suor, a mortandela. Sou pedreiro, e gosto dela. De quem? - da mortandela.

o videocaderno do rogerio veloso

eu tenho amor por essa banda

ok, isso é obvio

todo mundo tem

mas eu tenho

e é tão bom

é um sentimento puro

eles dão uma resposta pro mundo

q eu acho tão sofisticada

o homem foi jogado aqui nesse entre-terra-e-céu

sei lá qtos anos atras

pelado, peludo

aprendeu a meter

se virou como pôde

aprendeu a matar

aprendeu a comer

e isso tudo me parece ter tanto a ver com os stones

sim

é preciso aceitar o sexo dos outros

quem se ofende aqui dentro, quando terceiros em segundos se transformam?

agita e chuta a lata, é vergonha de si o ciúme?

quem se acende?

doi nas pernas, enfraquece o vigor, sente na barriga a faca fria do ciúme 

o cheiro de um, na carne do outro

repara no despenteado da moça, no batom na boca dele, repara nas roupas assentadas de há pouco sobre o corpo

repara, recebe o escuro do golpe sobre as vistas

repara, detenha-se sobre o som de quem se machuca consentido

sim, foram deles os momentos

sente o frio na sola dos pés

sente pela penúltima vez

e do que mais é preciso saber?

- das magnólias nas janelas

- das borracharias de goiás

- das beldades esparramadas

se ela disser que não te quer mais

arranje outra meu rapaz

a pedido do mano chelo

Louco de verdade. Né só cabelim não. Dentinho regaçado, pq bandidagem. Cicatriz no canto da boca, de facada. Sorrindo agora, mas com lágrimas guardadas pra mais tarde. Arrebatado como um lago pingado de chuva. De vez em qdo, cair no chão por querer. Ser pego roubando. RENAVAN de 2006. Carteira de identidade perdida em esbórnia no pelourinho, em 1998. Pouco louco? Bermudas originais dos anos 80. Prazer em se auto cuspir. Alguma hipocondria. Jamais jogar areia sobre qualquer paixão. Contato direto com dionísio, de vez em qdo lançar semente de mim sobre as pedras de cachoeira. Ser por correção, ser por natureza. Projetos de pajelança adiados pra depois da tempestade. Imersão no caldo quente dos sentimentos, dispensando toalhinha. Sem fé, mas com verve. Solipsista por designação dos astros, lavo minhas mãos. Confiança no deus que mora no correr dos fatos. Confiança, cumplicidade. Aguardando o último momento da vida, já claramente previsto: ouvindo som sozinho em apartamento com piso de taco no rio de janeiro, brisa e vista para o mar, quanta bagunça, quanta cachaça, quantas lágrimas guardadas para nunca chorá-las, eis que choro, tchau pra todo mundo, acabei de gozar na pedra.

impossível abraçar com essas linhas
o sol que tem feito esses dias

impossível abraçar com essas linhas

o sol que tem feito esses dias

uma reportagem

o meu amigo, o victor, ex-aluno lá da escola estadual isolina frança, acabou de me mandar um video belíssimo, q ele mesmo fez. 

é o video do terceirão: fotos da rapaziada do terceiro colegial, em slide-show, com amigos para sempre de fundo.

obviamente, fiquei comovido.

qdo eu ia dizendo no tweeter q era maravilhoso poder chorar com o amigos para sempre, a janelinha do victor pisca pra mim, a música ainda de fundo:

“pô, fessor, foda é que sumiu todo mundo. não vejo mais quase ninguém”

grande serenata, mano victor. grande aula, meu compay

vamos tentando

bom, então vamos lá. no principiar estão as coisas. opa, já ia me esquecendo. tava querendo parar de escrever só em minúsculas. Mas deu-se que enjoei do meu blog antigo. E já estou um pouco enjoado desse que acabou de começar. Da mesma maneira, andei enjoado do facebook. E da língua portuguesa. Das cidades aqui, onde vou morando, nem te conto. Enjoei tb das minhas músicas. Dos amigos, não enjoei, porque quase não os vejo.

Tão sem criatividade, isso: enjoar das coisas. Um homem de força não enjoa de nada, segue em frente, desenjoado. Mas eu enjoei. Gostaram do visual do blog novo? Acharam exagerado o cabeçalho? Muito grande, né. Enjoativo, talvez. Mas é provisório. Isso é só até eu publicar meu blog novo, com link pras coisas que faço, devaneios da madrugada, impressões de uma mente doentia sem saber o que fazer da vida.

Uma delícia, voltar pros blogs. O facebook foi legal comigo. Me custou uma perna, dois dentes, um olho e um estômago, mas pra frente é que se anda. Estou desdentado, mancando de uma perna, cego de um olho, e vociferando contra o facebook. O amigo consegue me ver?

Bradei em praça pública contra a festa rave, resisti pacificamente à prisão, fiz amor antes de fazer as pazes, decretei ódio mortal sem um pingo de raiva no coração, decorei o beabá da língua alemã. Alguém se tocou? Fez alguma diferença?

Pois bem, meus conterrâneos, volto a escrever em blog porque SE VOCÊ CHEGOU ATÉ AQUI É PORQUE EU NÃO ESTOU NEM AÍ.

Este blog deve rebolar, dançar entre as balas que a vida vai atirando sobre meus pés (som de balas de faroeste fumegando as pistolas). Vida bandida, o lenço do tony belloto encobrindo as obturações, vida bandida da luz vermelha, nosso lance é matar ou morrer, dizaí.

Por tudo isso, curti o lay-out jornalesco desse blog.

Porque de agora pra frente tudo é caso de polícia.